As vezes, quando estou lendo, abro o livro no final, e leio a última página.
A última página não te fala muito do climax. A última página é um dez de espadas. Qualquer coisa que tinha que acontecer já foi, agora Inês é morta, é aquele é só o último fio do texto.
Forma geral, finais me decepcionam.
Então, já sabendo que a única definição para o final de Mass Effect é "uma bosta", eu fui lá e li o final: a última decisão de Shepard.
E é mesmo uma bosta de níveis galácticos esse final.
Mas volto aos livros.
Ler a última decisão de Shepard foi como abrir a última página do livro e ler, sem contexto algum, aquele trecho. Minha ansiedade fica aplacada, porque eu estou livre do final. Faço isso com coisas que gosto muito, que me deixam com palpitação. E que eu não tenho pressa nenhuma de chegar no fim, mas sei que sou obcessiva demais para conseguir ler/jogar/assistir devagar. E eu quero aproveitar cada segundo daquela imersão, quero me perder naquele cenário, e o final não é tão importante assim. Porque nesses casos, o que importa é o caminho, o percurso que vou fazer para chegar até o fim, que normalmente é só o prenúncio da imensa ressaca que vou sentir quando terminar.
A trilogia Segredos do Poder, de Shadowrun, foi assim. Eu não queria chegar no final (que não é ruim, é bem bom, mas podia ser menos corrido). Não queria dizer adeus a Dodger e Twist de jeito nenhum. Eu estava apaixonada por eles. E pela Heart. E então eu fui lá, e li as últimas duas páginas. E voltei a ler, degustando a história com menos ansiedade, sabendo que no final, as coisas iam entrar nos eixos.
As vezes leio e perco a ansiedade por saber que o final é uma bosta e que só a fanfic salva.
Isso não significa que eu não me importe com spoilers. Muito pelo contrário, eles me irritam profundamente quando eu não procurei por eles e eles caem no meu colo. Tive um de Black Sails que me deixou muito, muito brava. Tive uns de Malévola que fizeram com que desistisse de ver o filme, porque eu simplesmente já sei demais para conseguir, nesse momento, conseguir curtir alguma coisa.
E não quero spoilers de Mass Effect, porque eu quero me virar para dar conta do processo, do meu envolvimento narrativo com o jogo. Eu passei por Virmire sem spoilers. E foi fantástico, emocionante, forte e incrível, e não quero perder isso.
Esse é um os casos onde sua milhagem pode variar. Tem gente que abomina todo e qualquer spoiler. E está certo. Tem gente que aceita todo tipo de spoiler, e está certo também. E tem eu e muita gente ai no meio que considera ok alguns spoilers, mas outros não. Acho que o grande ponto é: se eu procurei uma informação, voluntariamente, que bacana. Mas quando eu tenho uma informação que eu não queria esfregada na minha cara, é chato pra caramba.
Então não seja babaca e não poste spoilers. Nem piadas com coisas que aconteceram no episódio da semana. Não importa o quanto você esteja empolgado, não custa colocar um alerta de spoiler.
E se você se distraiu e soltou um spoiler, peça desculpas. Assuma que fez cagada. Eu já fiz isso. E olha, nem doeu pedir desculpas e me policiar mais.
É raro que eu goste do final de alguma coisa. Red Dead Redemption também tem um final cocô.
Na maioria dos livros, é decepção pura e simples. Um décimo de "eu faria diferente" e nove décimos de estar de saco cheio de moralismo, machismo, racismo, clichê. Especialmente o moralismo, no caso dos finais de histórias, é um negócio que dói na alma de tão frequente.
Esse moralismo também atinge games e filmes e seriados e quadrinhos. Seriados não moralistas é algo que eu ainda tou pra ver. Mesmo os que tem fama de "politicamente incorreto" são moralistas. Filmes sempre caem nessa. Redenção só se dá pela morte, mulheres que transam tem que casar e ter filhos, o destino dos filhos é seguir os passos dos pais, etc, etc etc...
Soma-se a isso o fato de que metade para mais dos finais são corridos. A história tem um passo até chegar perto do fim, ai rola um surto e tudo vira resumo para acabar logo, correndo. Coisas que indicavam uma resolução lenta se resolvem por magia. Pesquisas de anos se completam em uma semana. E o ritmo narrativo se perde para virar videoclip, corte em cima de corte de cena, frenético. Mesmo nos livros. Mesmo nos quadrinhos.
E foi assim que eu aprendi a gostar das coisas pelo percurso e não pelo final.
(*Gostaria de dizer que a trilogia de Jogos Vorazes é uma excessão. O final foi tão ruim, mas tão ruim, tão moralista, desnecessário, babaca, escroto, que eu simplesmente peguei raiva da série toda. Mas isso é a exceção que comprova a regra.)
Eu sou professora de arte. Na faculdade fui martelada até introjetar com o conceito de que o produto final, por mais importante que seja só tem valor como parte de um processo. Esse processo criativo é meu foco de trabalho. Então quando eu me envolvo em narrativas, é o percurso, o processo de desenvolvimento da trama, que me envolve e me dá prazer.
Gosto de pensar em como cheguei até lá. Em todas as sidequest que dei conta, toda a construção de cenário, tudo de incrível que vimos acontecer. Todos os personagens que eu vi se desenvolverem.
Sejamos realistas, quais as chances de eu gostar do final de As Crônicas de Gelo e Fogo?
O final de Fronteiras do Universo, que eu chorava de soluçar e que é perfeito mas é horrível. O final de Senhor dos Anéis, quando você sabe que o mundo de todo modo está condenado à tristeza, por mais que a gente mantenha a escuridão afastada. O final de tantos livros que eu olhei e pensei "é assim?"
Mas tudo bem. Porque o caminho que nos levou até aquele final é que importa. O que aprendemos e nos divertimos e conhecemos. Ninguém tira isso de nós, nenhum final bosta vai mudar todas as dezenas de horas onde me diverti jogando.
E é isso. 2/3 de Mass Effect jogados, mais ou menos, contando as horas que já joguei. E ansiosa, não pelo final, mas por completar o jogo para poder começar de novo com outra classe, e fazer a trilha de Renegade.
Porque não importa o que façam com o John Shepard oficial. Minha história é só minha. Minha história com o jogo é pessoal. Me pertence. E na minha hstória, consigo pensar em finais plausíveis mito menos bostas.
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sexta-feira, 27 de março de 2015
quinta-feira, 6 de março de 2014
Rabiscos depois de terminar de ler a Trilogia do Sprawl
Poucas coisas me fazem desligar meu computador. Basicamente, só livros me fazem desligar isso aqui.
Entendam: não é a toa que eu gosto de literatura cyberpunk. Eu sou o tipo de pessoa que estaria na fila de voluntários para abrir um buraco no crânio e colocar um datajack se eles dissessem hoje que era uma possibilidade. Não sou um cowboy, um jóquei de console. Nunca vou ser mais que um usuário bem informado. Mas sou apaixonada pela coisa desde que sentei na frente daquele computador e uma poeta fantástica e com uma loucura sutil que poderia ter saído de um romance desses sorriu para mim e disse "Divirta-se".
Era 1996 e eu ganhei a internet. Em um ano onde tudo que importava foi roubado de mim e eu passei a me alimentar de vazio, eu escrevi em uma tela escura o que seria meu primeiro nickname e passei a habitar um universo. Então, é, eu não desligo meu computador a toa. Eu não fico longe da rede, eu não fico longe dos meus programas e não fico longe do som do cooler e da vibração sutil de uma máquina se eu puder evitar.
Mas livros. Cara, certos livros são o mais próximo possível que existe de se plugar na Matriz, hoje. Porque eles são ilusões sensoriais. São construtos, são alucinações consensuais. Só que são um ponto fixo no tempo. Um dia, nós vamos poder mergulhar em dados, mas por enquanto, o máximo que temos é um retrato pausado do que seria isso.
Fileiras de letras. A rede não é mais que isso, sabe, quando você olha de perto. Mas ao contrário da lógica de programação, os livros estão na linguagem que eu domino.
Li Neuromancer pela primeira vez muito tempo atrás. Não sei precisar ao certo, mas foi uma tarde quente e eu lembro de acabar com o maço de cigarros, acendendo um a cada vez que alguém acendia um no livro e muitos mais a cada momento de tensão.
Difícil explicar o fascínio que aquilo me trouxe, o arrepio frio que correu pela minha espinha e como eu sentei na janela olhando o cipreste se mover lento com o vento, fumando um último cigarro enquanto deixava a paixão que senti por Molly Millions evaporar no ar.
Hoje é noite e o ar está frio e parado, e a neblina me faz pensar na frase que abre Neuromancer. O cipreste está morto. Nenhum vento agita a pitangueira, mas meu olhar é tomado pelos fios, dezenas de fios, que correm no alto da rua, enchendo meu campo de visão.
Mais uma vez, deixo o fantasma de Molly evaporar no ar enquanto tento retomar contato com a realidade.
Ontem li Count Zero, e é provável que tenha sido um dos melhores livros que eu li na minha vida. Hoje, li Monalisa Overdrive e fechei a trilogia.
Difícil explicar porque demorei tanto tempo para ler os dois. Na real, eu tinha um medo cagado de que aquela feitiçaria que Neuromancer fez comigo fosse quebrada. Que os livros não fossem bons o bastante, sabe.
Ai os livros quase cairam em cima de mim e eu li os dois essa semana.
Deixa eu dizer uma coisa: a gente não deve ler livros como quem usa uma dose de drogas estimulantes. Mas é o que eu faço. Leio com uma voracidade obcessiva. Leio muito rápido e mergulho fundo, o que causa essa reação depois de um livro intenso.
Pior quando são assim, um depois do outro.
Ou seria melhor?
Eu poderia tentar fazer uma análise fria da obra do Gibson e de todos os motivos pelo qual eu gosto muito dela. Que envolvem shurikens, a criação de um universo profético, personagens femininas com um grau de complexidade admirável e loas.
Mas nesse momento, eu só fico desejando trodos nas minhas têmporas, para eu poder escrever mais rápido, desligada do ambiente em torno, os dedos dançando no teclado do console. Ops, é o que eu estou fazendo, não é? Escrevendo mais rápido do que posso pensar em editar, tentando capturar: uma sensação.
A sensação de ter lido algo que parece derreter seu cérebro e seus sentidos.
Não tenho trodos ou sinsense, mas faço o que posso com as ferramentas a mão.
Um livro. Um maço de cigarros. Um isqueiro de metal vermelho, e a tela escura com letras em fósforo verde do meu editor de textos. (sim, eu sou dessas. meu editor de textos remete de todo modo possível ao meu velho e inigualável wordstar que eu rodava no DOS até o dia em que não consegui mais uma impressora que fosse compatível.)
Fico imaginando se vou reler esses livros do mesmo jeito que fiz com Neuromancer, até ter as palavras gravadas na memória.
é.
Apago o cigarro no cinzeiro prateado, as bordas com pequenas bolhas de ferrugem. Copio o texto para jogar na plataforma do blog.
Apago as luzes da varanda, vendo o título dos livros nas capas escuras iluminadas pelo sódio das lâmpadas da rua.
Entendam: não é a toa que eu gosto de literatura cyberpunk. Eu sou o tipo de pessoa que estaria na fila de voluntários para abrir um buraco no crânio e colocar um datajack se eles dissessem hoje que era uma possibilidade. Não sou um cowboy, um jóquei de console. Nunca vou ser mais que um usuário bem informado. Mas sou apaixonada pela coisa desde que sentei na frente daquele computador e uma poeta fantástica e com uma loucura sutil que poderia ter saído de um romance desses sorriu para mim e disse "Divirta-se".
Era 1996 e eu ganhei a internet. Em um ano onde tudo que importava foi roubado de mim e eu passei a me alimentar de vazio, eu escrevi em uma tela escura o que seria meu primeiro nickname e passei a habitar um universo. Então, é, eu não desligo meu computador a toa. Eu não fico longe da rede, eu não fico longe dos meus programas e não fico longe do som do cooler e da vibração sutil de uma máquina se eu puder evitar.
Mas livros. Cara, certos livros são o mais próximo possível que existe de se plugar na Matriz, hoje. Porque eles são ilusões sensoriais. São construtos, são alucinações consensuais. Só que são um ponto fixo no tempo. Um dia, nós vamos poder mergulhar em dados, mas por enquanto, o máximo que temos é um retrato pausado do que seria isso.
Fileiras de letras. A rede não é mais que isso, sabe, quando você olha de perto. Mas ao contrário da lógica de programação, os livros estão na linguagem que eu domino.
Li Neuromancer pela primeira vez muito tempo atrás. Não sei precisar ao certo, mas foi uma tarde quente e eu lembro de acabar com o maço de cigarros, acendendo um a cada vez que alguém acendia um no livro e muitos mais a cada momento de tensão.
Difícil explicar o fascínio que aquilo me trouxe, o arrepio frio que correu pela minha espinha e como eu sentei na janela olhando o cipreste se mover lento com o vento, fumando um último cigarro enquanto deixava a paixão que senti por Molly Millions evaporar no ar.
Hoje é noite e o ar está frio e parado, e a neblina me faz pensar na frase que abre Neuromancer. O cipreste está morto. Nenhum vento agita a pitangueira, mas meu olhar é tomado pelos fios, dezenas de fios, que correm no alto da rua, enchendo meu campo de visão.
Mais uma vez, deixo o fantasma de Molly evaporar no ar enquanto tento retomar contato com a realidade.
Ontem li Count Zero, e é provável que tenha sido um dos melhores livros que eu li na minha vida. Hoje, li Monalisa Overdrive e fechei a trilogia.
Difícil explicar porque demorei tanto tempo para ler os dois. Na real, eu tinha um medo cagado de que aquela feitiçaria que Neuromancer fez comigo fosse quebrada. Que os livros não fossem bons o bastante, sabe.
Ai os livros quase cairam em cima de mim e eu li os dois essa semana.
Deixa eu dizer uma coisa: a gente não deve ler livros como quem usa uma dose de drogas estimulantes. Mas é o que eu faço. Leio com uma voracidade obcessiva. Leio muito rápido e mergulho fundo, o que causa essa reação depois de um livro intenso.
Pior quando são assim, um depois do outro.
Ou seria melhor?
Eu poderia tentar fazer uma análise fria da obra do Gibson e de todos os motivos pelo qual eu gosto muito dela. Que envolvem shurikens, a criação de um universo profético, personagens femininas com um grau de complexidade admirável e loas.
Mas nesse momento, eu só fico desejando trodos nas minhas têmporas, para eu poder escrever mais rápido, desligada do ambiente em torno, os dedos dançando no teclado do console. Ops, é o que eu estou fazendo, não é? Escrevendo mais rápido do que posso pensar em editar, tentando capturar: uma sensação.
A sensação de ter lido algo que parece derreter seu cérebro e seus sentidos.
Não tenho trodos ou sinsense, mas faço o que posso com as ferramentas a mão.
Um livro. Um maço de cigarros. Um isqueiro de metal vermelho, e a tela escura com letras em fósforo verde do meu editor de textos. (sim, eu sou dessas. meu editor de textos remete de todo modo possível ao meu velho e inigualável wordstar que eu rodava no DOS até o dia em que não consegui mais uma impressora que fosse compatível.)
Fico imaginando se vou reler esses livros do mesmo jeito que fiz com Neuromancer, até ter as palavras gravadas na memória.
é.
Apago o cigarro no cinzeiro prateado, as bordas com pequenas bolhas de ferrugem. Copio o texto para jogar na plataforma do blog.
Apago as luzes da varanda, vendo o título dos livros nas capas escuras iluminadas pelo sódio das lâmpadas da rua.
sábado, 25 de janeiro de 2014
Meme - 10 livros que me marcaram
Eu fui taggeada pela Helena, a Lórien, a Sílvia e a Paty no Facebook para fazer esse meme. Mas eu tenho o firme objetivo de postar coisas que valem a pena nos blogs, e não lá no livrocara que no fim das contas devora tudo e tchau tchau, nunca mais você encontra o que escreveu. Então, aqui vai.
Em primeiro lugar eu preciso dizer que escolher dez livros só é uma tremenda escolha de Sofia.
Eu tenho uma relação com a leitura de um viciado em drogas. Eu preciso ler, e não tenho escrúpulo ou medida. Eu leio o que cair na minha mão, seja bom, ruim ou mérdio. Eu preciso manter o olho em movimento pelas páginas e nem de longe faço isso da forma assim, mais saudável. Sou do tipo que fica sem dormir para terminar de ler, que deixa de lado obrigações porque "faltam só mais 15 páginas".
Mas ok, vou parar de enrolar e escrever minha lista. Não é em ordem de importância e esses nem são "os que me marcaram mais", só livros que marcaram de algum modo, e que hoje eu me lembrei. Amanhã a lista poderia ser diferente.
1-O Ouro de Manoa, Jeronymo Monteiro
Ler esse livro me botou numa trilha de que nunca mais sai. Li incontáveis vezes. De repente eu descobri o tipo de literatura que queria ter pra sempre perto de mim.
2-O Despertar dos Mágicos, Louis Pauwels e Jacques Bergier
Como explicar? Ler esse livro explodiu minha cabeça e de brinde me apresentou Borges. Descobri o realismo fantástico e descobri que a realidade é fantástica...
3-O Apanhador no Campo de Centeio, J. D. Salinger
Li adolescente. Odiei. Ficando repassando as cenas na minha mente, obcessivamente. Não cometi nenhum assassinato, mas li na época certa em que se deve ler e tive aquele efeito de ter um diapazão vibrando na alma, de afinar meu eu e o mundo.
4-Neuromancer, Willian Gibson
Ah cara, o que dizer. Essa coisa povoa meus sonhos e meus pesadelos, do dia em que eu li até hoje.
5-O senhor dos Anéis, Professor J. R. R. Tolkien
O mundo se divide em dois: as pessoas que já leram Senhor dos Anéis, e as pessoas que não leram Senhor dos Anéis. (e sim, reli umas dezenas de vezes)
6- Série Harry Potter, J. K. Rowlings
Fica difícil explicar o que significa esperar o lançamento de um livro como quem espera uma nova temporada de um seriado que ama muito, ou o próximo capítulo de uma novela. Mais do que os livros em si, o que me marcou foi estar irmanada naquela sensação de ansiedade, de espera, de pegar o livro no dia do lançamento e devorar as páginas. Chorei feio no último livro, desde a primeira página, por saber que era o fim e nunca mais sentiria igual.
7-Crônicas do Mundo Emerso, Licia Troisi
De repente, além de ter uma protagonista mulher, guerreira e um personagem de suporte masculino, eu percebi algo fantástico: eu não precisava ser o Professor para escrever. Eu não precisava escrever de forma perfeita e plena de beatitude. Eu posso só contar uma história. E desde então, escrevi com muito mais coragem e desprendimento.
8-Sidarta, Herman Hesse
Li Sidarta em um grupo de estudo de literatura. Mas o mais marcante é que meu filho, então recém nascido, precisava da minha atenção então eu li o livro inteiro em voz alta para ele. Foi o primeiro livro que li para para o Arauto do Caos, e ter sido Herman Hesse foi muito especial.
9-Histórias Fantásticas, Bioy Casares
Eu amava Borges, e até então, Bioy era pra mim "o amigo do Borges". Então eu li seus contos e minha mente explodiu em pedacinhos e eu descobri que consigo amar Bioy ainda mais do que eu amava Borges (e isso é muito, mesmo). Aquela sensação de "ai caralha, eu quero ser esse cara quando eu crescer".
10-Trilogia Segredos do Poder (Shadowrun), Robert N. Charrette
Me abriu pro mundo dos livros feitos a partir de cenários de RPG e seriados, que hoje são umas dezenas de livros em papel jornal e capa mole na minha estante, de Arquivo X a Star Trek, passando por Star Wars e Dragonlance, e me fez ficar irremediavelmente apaixonada por Shadowrun (que considero o cenário de RPG mais incrivelmente incrível da existência). Personagens cativantes, cenário apresentado de um jeito que não te sobrecarrega, zona de moralidade cinzenta, e uma aventura que é ao mesmo tempo boba e épica.
Óbvio que já tenho aqui na minha mente mais umas duas dúzias de livros marcantes. Que, bons ou ruins, são importantes para minha história. Mas a gente fica com esses dez hoje, e quem sabe outro dia eu coloco outros.
Eu deveria marcar 10 pessoas, mas vou deixar livre aqui para quem quiser pegar e fazer... nos blogs, nos facebooks, nos twitters, onde for.
"A brincadeira consiste em fazer uma lista com os 10 livros (ficção ou não-ficção) que tenham me marcado. A ideia não é gastar muito tempo, nem pensar muito. Não precisam ser grandes obras, apenas que tenham sido importantes pra mim."
Em primeiro lugar eu preciso dizer que escolher dez livros só é uma tremenda escolha de Sofia.
Eu tenho uma relação com a leitura de um viciado em drogas. Eu preciso ler, e não tenho escrúpulo ou medida. Eu leio o que cair na minha mão, seja bom, ruim ou mérdio. Eu preciso manter o olho em movimento pelas páginas e nem de longe faço isso da forma assim, mais saudável. Sou do tipo que fica sem dormir para terminar de ler, que deixa de lado obrigações porque "faltam só mais 15 páginas".
Mas ok, vou parar de enrolar e escrever minha lista. Não é em ordem de importância e esses nem são "os que me marcaram mais", só livros que marcaram de algum modo, e que hoje eu me lembrei. Amanhã a lista poderia ser diferente.
1-O Ouro de Manoa, Jeronymo Monteiro
Ler esse livro me botou numa trilha de que nunca mais sai. Li incontáveis vezes. De repente eu descobri o tipo de literatura que queria ter pra sempre perto de mim.
2-O Despertar dos Mágicos, Louis Pauwels e Jacques Bergier
Como explicar? Ler esse livro explodiu minha cabeça e de brinde me apresentou Borges. Descobri o realismo fantástico e descobri que a realidade é fantástica...
3-O Apanhador no Campo de Centeio, J. D. Salinger
Li adolescente. Odiei. Ficando repassando as cenas na minha mente, obcessivamente. Não cometi nenhum assassinato, mas li na época certa em que se deve ler e tive aquele efeito de ter um diapazão vibrando na alma, de afinar meu eu e o mundo.
4-Neuromancer, Willian Gibson
Ah cara, o que dizer. Essa coisa povoa meus sonhos e meus pesadelos, do dia em que eu li até hoje.
5-O senhor dos Anéis, Professor J. R. R. Tolkien
O mundo se divide em dois: as pessoas que já leram Senhor dos Anéis, e as pessoas que não leram Senhor dos Anéis. (e sim, reli umas dezenas de vezes)
6- Série Harry Potter, J. K. Rowlings
Fica difícil explicar o que significa esperar o lançamento de um livro como quem espera uma nova temporada de um seriado que ama muito, ou o próximo capítulo de uma novela. Mais do que os livros em si, o que me marcou foi estar irmanada naquela sensação de ansiedade, de espera, de pegar o livro no dia do lançamento e devorar as páginas. Chorei feio no último livro, desde a primeira página, por saber que era o fim e nunca mais sentiria igual.
7-Crônicas do Mundo Emerso, Licia Troisi
De repente, além de ter uma protagonista mulher, guerreira e um personagem de suporte masculino, eu percebi algo fantástico: eu não precisava ser o Professor para escrever. Eu não precisava escrever de forma perfeita e plena de beatitude. Eu posso só contar uma história. E desde então, escrevi com muito mais coragem e desprendimento.
8-Sidarta, Herman Hesse
Li Sidarta em um grupo de estudo de literatura. Mas o mais marcante é que meu filho, então recém nascido, precisava da minha atenção então eu li o livro inteiro em voz alta para ele. Foi o primeiro livro que li para para o Arauto do Caos, e ter sido Herman Hesse foi muito especial.
9-Histórias Fantásticas, Bioy Casares
Eu amava Borges, e até então, Bioy era pra mim "o amigo do Borges". Então eu li seus contos e minha mente explodiu em pedacinhos e eu descobri que consigo amar Bioy ainda mais do que eu amava Borges (e isso é muito, mesmo). Aquela sensação de "ai caralha, eu quero ser esse cara quando eu crescer".
10-Trilogia Segredos do Poder (Shadowrun), Robert N. Charrette
Me abriu pro mundo dos livros feitos a partir de cenários de RPG e seriados, que hoje são umas dezenas de livros em papel jornal e capa mole na minha estante, de Arquivo X a Star Trek, passando por Star Wars e Dragonlance, e me fez ficar irremediavelmente apaixonada por Shadowrun (que considero o cenário de RPG mais incrivelmente incrível da existência). Personagens cativantes, cenário apresentado de um jeito que não te sobrecarrega, zona de moralidade cinzenta, e uma aventura que é ao mesmo tempo boba e épica.
Óbvio que já tenho aqui na minha mente mais umas duas dúzias de livros marcantes. Que, bons ou ruins, são importantes para minha história. Mas a gente fica com esses dez hoje, e quem sabe outro dia eu coloco outros.
Eu deveria marcar 10 pessoas, mas vou deixar livre aqui para quem quiser pegar e fazer... nos blogs, nos facebooks, nos twitters, onde for.
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