Algumas questões de estrutura:
-A internet não teve muitos problemas de instabilidade desde a tarde de terça. Como eu não estou baixando a pia da cozinha (a gente tem uma conexão boa em casa e no cotidiano baixamos muita coisa, então downloads não são exatamente uma preocupação nesse momento), não posso reclamar. Cada pessoa pode se cadastrar e pegar duas senhas para a internet wi-fi. No notebook ela funcionou muito bem e eu tenho aproveitado enquanto estou nas palestras, por exemplo. No celular me deu mais trabalho fazer ela funcionar.
- São paulo tem uma carência crônica de espaços de convenções adequados. Estamos no melhor que é possível, o Anhembi, mas o calor é intenso, pombos e insetos apareceram dentro do pavilhão (hoje não vi nenhum, acho que assustamos eles enfim), e o ruído dos exaustores é bem marcante. Se você não gosta de dormir com ruído branco, aconselho trazer protetores de ouvido.
-O espaço para as startups é bem legal, vale a pena ver o que as pessoas estão fazendo. Mas a parte da Open Campus ano passado era mais interessante, com muito mais variedade de coisas rolando.
-Achei que as cadeiras iam ser desconfortáveis depois de dias sentada nelas por horas, mas até agora tirando o ombro que eu zoei dormindo em má posição no sofá (e curei com spray de anti-inflamatório como se o mundo fosse acabar em aerosol), está bem confortável.
-O clima forma geral é muito amistoso, e fica uma sensação engraçada de "eu acho que conehço você", seja porque se viu em outros eventos ou simplesmente porque o código visual que definiria o normatizado aqui não é o mesmo lá de fora.
Mostrando postagens com marcador cpbr7. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cpbr7. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
(Quase) Diário da Campus Party BR 02 - Um resumo de terça feira até aqui.
Então, quanta coisa. O beagle noticiário vai durar pelo menos uma semana a mais do que a duração da Campus, porque para falar de cada palestra que eu assisti, mais sobre tudo que vi/fiz/conversei, vai precisar de muita postagem.
Primeiro, uma das coisas é que eu estou falando com muita gente. É incrível como você conhece pessoas, conversa, se anima com projetos, discute possibilidades filosóficas. De colegas professores da arte de outros Estados a gente que frequentava o mesmo fórum gótico lá nos anos 90 (e as mesmas baladas), até as ricas conversas com os palestrantes no fim das discussões.
Eu decidi falar das palestras em posts específicos, assim também posso complementar com mais informações, e fazer um resumo geral das coisas até aqui com relação ao ambiente da CP.
A cada dia, as pessoas ficam acordadas até mais tarde em maiores quantidades aqui na Arena. De gente jogando ping pong ou praticando lançamentos de futebol americano aos que se agrupam para tocar violão e cantar pela madrugada, os gamers em suas máquinas, outros com consoles (Just Dance é uma das preferências de um bocado de gente aqui)o pessoal trabalhando com produção de conteúdo ou programando, cada noite a ação na arena vai ficando mais intensa e até mais tarde.
Hoje, 2:25 da manhã, a arena está tão animada agora quanto estava às 8 da noite. E mais barulhenta porque está rolando música em um dos palcos e o pessoal está lá dançando.
Ao meu lado, o pessoal dos casemods está mexendo nas máquinas. É um pessoal muito acessível (os que eu conversei), e muito dispostos a ajudar. Eu gostaria de ano que vem estar com o meu casemod aqui, pronto e funcional. Quero uma máquina steampunk, com referências da Máquina Babbage e homenageando Lady Ada Lovelace.
Uma das coisas que me apaixonam neste espaço é ver a quantidade de pessoas produzindo. Nos últimos minutos, dando uma volta, encontrei pessoas testando drones modificados, criando efeitos visuais em cubos formados por leds, podcasts e videocasts sendo gravados.
Agora está um pouco difícil de escrever muito, porque o cansaço é intenso. Dormir é o que tenho menos feito, e o excesso de informação cansa um tanto.
Estou muito contente de estar aqui, e o mundo do dia a dia vai ser meio desértico nas próximas semanas até eu voltar a me acostumar.
Primeiro, uma das coisas é que eu estou falando com muita gente. É incrível como você conhece pessoas, conversa, se anima com projetos, discute possibilidades filosóficas. De colegas professores da arte de outros Estados a gente que frequentava o mesmo fórum gótico lá nos anos 90 (e as mesmas baladas), até as ricas conversas com os palestrantes no fim das discussões.
Eu decidi falar das palestras em posts específicos, assim também posso complementar com mais informações, e fazer um resumo geral das coisas até aqui com relação ao ambiente da CP.
A cada dia, as pessoas ficam acordadas até mais tarde em maiores quantidades aqui na Arena. De gente jogando ping pong ou praticando lançamentos de futebol americano aos que se agrupam para tocar violão e cantar pela madrugada, os gamers em suas máquinas, outros com consoles (Just Dance é uma das preferências de um bocado de gente aqui)o pessoal trabalhando com produção de conteúdo ou programando, cada noite a ação na arena vai ficando mais intensa e até mais tarde.
Hoje, 2:25 da manhã, a arena está tão animada agora quanto estava às 8 da noite. E mais barulhenta porque está rolando música em um dos palcos e o pessoal está lá dançando.
Ao meu lado, o pessoal dos casemods está mexendo nas máquinas. É um pessoal muito acessível (os que eu conversei), e muito dispostos a ajudar. Eu gostaria de ano que vem estar com o meu casemod aqui, pronto e funcional. Quero uma máquina steampunk, com referências da Máquina Babbage e homenageando Lady Ada Lovelace.
Uma das coisas que me apaixonam neste espaço é ver a quantidade de pessoas produzindo. Nos últimos minutos, dando uma volta, encontrei pessoas testando drones modificados, criando efeitos visuais em cubos formados por leds, podcasts e videocasts sendo gravados.
Agora está um pouco difícil de escrever muito, porque o cansaço é intenso. Dormir é o que tenho menos feito, e o excesso de informação cansa um tanto.
Estou muito contente de estar aqui, e o mundo do dia a dia vai ser meio desértico nas próximas semanas até eu voltar a me acostumar.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Diário da Campus Party BR 01 - Primeiro dia, primeira noite
Resumo do primeiro dia, escrito agora, à meia noite e meia, enquanto espero a internet da bancada voltar. Parece que pela arena inteira estão rolando instabilidades na rede, mas só agora chegou aqui.
Estou na área dos games, perto dos case mods.
A segunda feira é o dia da chegada. Os palcos ainda não tem nenhuma programação, e a Open Campus ainda estava em processo de montagem. Mas durante todo o dia as pessoas foram chegando e ocupando espaço nas bancadas da arena. E você vai descobrindo que precisa testar os cabos de rede porque nem todos funcionam direito, relembra que são previstas 8 mil pessoas e que nem todo mundo é a Dorothy, conversa com gente de metade do país enquanto sai para fumar um cigarro, bebe café feito doido porque a 3 Corações está distribuindo, e começa a se adaptar ao ambiente.
(O técnico veio aqui consertar a rede. Gente finíssima, explicou que estão com problemas para configurar a rede e que eles, que cuidam do hardware, estão ficando quase doidos com isso. Mas não posso reclamar, aqui na minha bancada ele cosneguiu rapidinho resolver, mas parece que tem mesas que estão o dia inteiro caindo por conta disso)
Por enquanto, o que dizer? As pessoas estão chegando e se ajeitando, e o ruído de fundo é um murmúrio de conversas constante, que depois de um tempo você interpreta como se fosse silêncio, rs. As pessoas pelo menos aqui onde estou estão animadas e a noite está gostosa.
Algumas bancadas já são facilmente identificadas pelas bandeiras e banners que o pessoal foi colocando. Alguns dos case mods são verdadeiras esculturas. Existe um clima de camaradagem, de ajuda mútua, mesmo entre desconhecidos, o que é muito legal.
Entre as coisas que valem a anotação do dia de hoje:
-fizeram um grupo no whatsapp para fumantes, para o pessoal que não está com amigos que fumam não precisar fumar sozinho. É bonitíssimo, a nicotina unindo as pessoas, rs.
-não existe fronteira entre virtual e físico. Estou conectada ao grupo no facebook, ao twitter, instagram, e com isso me mantenho informada do que está a minha volta. Ao mesmo tempo que, daqui de onde estou na bancada, acompanho o pessoal assistindo Sharknado, vejo o filme de rabo de olho e como pipoca, dou risada do que postam no twitter e presto mais atenção no que está rolando lá. As coisas acontecem nos dois mundos de forma simultânea, do jeitinho que eu quero explicar na dissertação.
-tem muitas, muitas mulheres na arena, mas aquele machismo subliminar da nossa sociedade, como sempre, se faz presente. Mas somos muitas, o que já me deixa feliz. Inclusive, vamos ter um encontro das feministas nerds, se houver mais alguma perdida por ai…
-surreal, mas o clima de camping selvagem se completa com a presença de muitos pernilongos.
Bom, como a internet voltou e estão chamando para um cigarro, eu fico por aqui. Amanhã tem mais beagle noticiário.
__________________________
Sobre a madrugada:
Até as três, quatro, a coisa ainda tinha mais movimento. Ai o cansaço da chegada parece ter batido e tudo ficou muito silencioso. Dormi no sofá, esqueci minha blusa e passei um pouco de frio, mas numa boa.
A internet ainda está bem instável, mas agora consegui fazer funcionar o wifi feliz no notebook e as coisas estão funcionando. Daqui uma hora começa a primeira oficina que pretendo participar. Mais tarde volto para contar.
Estou na área dos games, perto dos case mods.
A segunda feira é o dia da chegada. Os palcos ainda não tem nenhuma programação, e a Open Campus ainda estava em processo de montagem. Mas durante todo o dia as pessoas foram chegando e ocupando espaço nas bancadas da arena. E você vai descobrindo que precisa testar os cabos de rede porque nem todos funcionam direito, relembra que são previstas 8 mil pessoas e que nem todo mundo é a Dorothy, conversa com gente de metade do país enquanto sai para fumar um cigarro, bebe café feito doido porque a 3 Corações está distribuindo, e começa a se adaptar ao ambiente.
(O técnico veio aqui consertar a rede. Gente finíssima, explicou que estão com problemas para configurar a rede e que eles, que cuidam do hardware, estão ficando quase doidos com isso. Mas não posso reclamar, aqui na minha bancada ele cosneguiu rapidinho resolver, mas parece que tem mesas que estão o dia inteiro caindo por conta disso)
Por enquanto, o que dizer? As pessoas estão chegando e se ajeitando, e o ruído de fundo é um murmúrio de conversas constante, que depois de um tempo você interpreta como se fosse silêncio, rs. As pessoas pelo menos aqui onde estou estão animadas e a noite está gostosa.
Algumas bancadas já são facilmente identificadas pelas bandeiras e banners que o pessoal foi colocando. Alguns dos case mods são verdadeiras esculturas. Existe um clima de camaradagem, de ajuda mútua, mesmo entre desconhecidos, o que é muito legal.
Entre as coisas que valem a anotação do dia de hoje:
-fizeram um grupo no whatsapp para fumantes, para o pessoal que não está com amigos que fumam não precisar fumar sozinho. É bonitíssimo, a nicotina unindo as pessoas, rs.
-não existe fronteira entre virtual e físico. Estou conectada ao grupo no facebook, ao twitter, instagram, e com isso me mantenho informada do que está a minha volta. Ao mesmo tempo que, daqui de onde estou na bancada, acompanho o pessoal assistindo Sharknado, vejo o filme de rabo de olho e como pipoca, dou risada do que postam no twitter e presto mais atenção no que está rolando lá. As coisas acontecem nos dois mundos de forma simultânea, do jeitinho que eu quero explicar na dissertação.
-tem muitas, muitas mulheres na arena, mas aquele machismo subliminar da nossa sociedade, como sempre, se faz presente. Mas somos muitas, o que já me deixa feliz. Inclusive, vamos ter um encontro das feministas nerds, se houver mais alguma perdida por ai…
-surreal, mas o clima de camping selvagem se completa com a presença de muitos pernilongos.
Bom, como a internet voltou e estão chamando para um cigarro, eu fico por aqui. Amanhã tem mais beagle noticiário.
__________________________
Sobre a madrugada:
Até as três, quatro, a coisa ainda tinha mais movimento. Ai o cansaço da chegada parece ter batido e tudo ficou muito silencioso. Dormi no sofá, esqueci minha blusa e passei um pouco de frio, mas numa boa.
A internet ainda está bem instável, mas agora consegui fazer funcionar o wifi feliz no notebook e as coisas estão funcionando. Daqui uma hora começa a primeira oficina que pretendo participar. Mais tarde volto para contar.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Diário da Campus Party BR 00- Porque estou aqui?
Eu quero tentar o mestrado esse ano. Tentei ano passado, mas soube 15 dias antes de fechar a entrega do pré projeto e da data da prova. Fiz correndo para testar e bom, tenho uns meses para me preparar agora para a próxima inscrição. E eu quero falar de cultura digital, e de como eu enxergo os processos criativos da cultura digital.
Cultura é um negócio vivo. Uma coisa que as vezes você consegue ver acontecer. Foi assim quando comecei a jogar RPG e quando encontrei os fandoms. Olhei aquilo e putz, é isso, estamos criando cultura, essas pessoas estão criando cultura (e eu quero fazer parte disso). Todos somos agentes criativos imersos em processos de produção cultural. Já não dá mais para pensar em "mundo real" quando falamos de mundo físico. Porque o virtual é muito real, e físico e virtual são duas coisas que se misturam. (estou procurando uma palavra melhor do que virtual tbm)
Por isso eu decidi pesquisar a produção cultural dentro de um espaço onde essa fisicalidade do virtual é a regra. A arena da Campus Party Brasil. Este é meu primeiro ano como campuseira, passando a semana toda no evento. Por três anos eu vim no sábado e passei um dia aqui dentro, e me apaixonei pelo que vi.
Ano passado, em 45 minutos de observação, registrei quase uma centena de manifestações estéticas. Pessoas que, conscientes disso ou não, estavam produzindo experiências visuais. Sim, porque o jeito como você demarca seu espaço ou manifesta sua identidade também são expressões culturais.
Então eu vim aqui ver palestras e me divertir, mas também estou para observar as pessoas, as possibilidades, tentar entender os processos. Atenta para a produção criativa que a gente respira nesse espaço.
Mas eu não penso pesquisa daquele jeito, pesquisador de um lado, pesquisado do outro. Eu trabalho com o conceito de que estamos todos nessa e pensamos a coisa toda juntos.
Então eu também estou aqui, com meus chapéus engraçados, minha oncinha de pelúcia, e post its - porque o recado adesivo é amigo da arte de guerrilha.
Eu quero conversar com as pessoas. Quero saber como elas entendem o processo. Qual o significado que cada um de nós atribui para sua estadia aqui? Aquilo que a gente cria, a gente tem noção do tamanho?
Hoje, estou chegando. Sentei aqui, abri o notebook, e tou dando uma olhada aleatória na vida. A programação abre esta noite. Dez e meia da manhã eu já tenho anotada uma oficina que quero participar. As pessoas estão chegando, se ajeitando, ocupando o espaço.
De certo modo, é ver uma Zona Autônoma Temporária tomando sua forma.
Cultura é um negócio vivo. Uma coisa que as vezes você consegue ver acontecer. Foi assim quando comecei a jogar RPG e quando encontrei os fandoms. Olhei aquilo e putz, é isso, estamos criando cultura, essas pessoas estão criando cultura (e eu quero fazer parte disso). Todos somos agentes criativos imersos em processos de produção cultural. Já não dá mais para pensar em "mundo real" quando falamos de mundo físico. Porque o virtual é muito real, e físico e virtual são duas coisas que se misturam. (estou procurando uma palavra melhor do que virtual tbm)
Por isso eu decidi pesquisar a produção cultural dentro de um espaço onde essa fisicalidade do virtual é a regra. A arena da Campus Party Brasil. Este é meu primeiro ano como campuseira, passando a semana toda no evento. Por três anos eu vim no sábado e passei um dia aqui dentro, e me apaixonei pelo que vi.
Ano passado, em 45 minutos de observação, registrei quase uma centena de manifestações estéticas. Pessoas que, conscientes disso ou não, estavam produzindo experiências visuais. Sim, porque o jeito como você demarca seu espaço ou manifesta sua identidade também são expressões culturais.
Então eu vim aqui ver palestras e me divertir, mas também estou para observar as pessoas, as possibilidades, tentar entender os processos. Atenta para a produção criativa que a gente respira nesse espaço.
Mas eu não penso pesquisa daquele jeito, pesquisador de um lado, pesquisado do outro. Eu trabalho com o conceito de que estamos todos nessa e pensamos a coisa toda juntos.
Então eu também estou aqui, com meus chapéus engraçados, minha oncinha de pelúcia, e post its - porque o recado adesivo é amigo da arte de guerrilha.
Eu quero conversar com as pessoas. Quero saber como elas entendem o processo. Qual o significado que cada um de nós atribui para sua estadia aqui? Aquilo que a gente cria, a gente tem noção do tamanho?
Hoje, estou chegando. Sentei aqui, abri o notebook, e tou dando uma olhada aleatória na vida. A programação abre esta noite. Dez e meia da manhã eu já tenho anotada uma oficina que quero participar. As pessoas estão chegando, se ajeitando, ocupando o espaço.
De certo modo, é ver uma Zona Autônoma Temporária tomando sua forma.
Assinar:
Postagens (Atom)